Coleção Flanar

Livros: Fisiologia do Flâneur e Cinematógrafo, crônicas cariocas

“Oh! sim, as ruas têm alma! Há ruas honestas, ruas ambíguas, ruas sinistras, ruas nobres, delicadas, trágicas, depravadas, puras, infames, ruas sem história, ruas tão velhas que bastam para contar a evolução de uma cidade inteira, ruas guerreiras, revoltosas, medrosas, spleenéticas, snobs, ruas aristocráticas, ruas amorosas, ruas covardes, que ficam sem pinga de sangue…”

– João do Rio

O encontro de Louis Huart e João do Rio

A Fisiologia do Flâneur de Louis Huart, em tradução de Leila de Aguiar Costa, e o Cinematógrafo, crônicas cariocas, de João do Rio, imprimem-se em uma conversa literária sobre quem e como é o flâneur, sujeito da modernidade; e sobre um jornalismo-literário que se faz na e pela flânerie. Lançados lado a lado pela Editacuja, os dois volumes inauguram a Coleção Flanar, que pretende trazer à luz textos que nos inspirem a olhar,  pensar e ocupar a cidade. 

Em Fisiologia do Flâneur, Louis Huart, ao longo de 15 capítulos, nos oferece um manual de reconhecimento do flâneur, uma descrição minuciosa de seu comportamento, seu ambiente, e hábitos. Assim, Huart nos ensina a identificar um falso flâneur e oferece conselhos para flâneurs noviços. Um texto divertido, irônico e de grande sucesso, editado com ilustrações de importantes artistas de sua época ganha a tradução, inédita, de Leila de Aguiar Costa. 

Em Cinematógrafo, as editoras selecionaram 20 crônicas das 45 que compõem o livro de João do Rio, publicado em 1909. Seus textos passeiam entre a reportagem, o testemunho e o literário, nos guiando pela belle époque carioca. E, para além dela, seu olhar – que tudo vê – nos leva através da cidade, das ruas, de seus personagens e seus temas. Mas, também, pelas nossas cidades, nossas ruas e personagens, e por temas tão nossos, que só reafirmam o olhar contemporâneo de João do Rio.

Louis Huart

Louis Huart (1813-1865) foi um jornalista, escritor e dramaturgo do século XIX francês. Publicou entre 1841-1842, sob o título de Fisiologias, estudos curtos e bem-humorados dos costumes de diversos grupos parisienses, entre eles Fisiologia do Flâneur. A invenção desse gênero literário, Fisiologias, foi atribuída a ele, e fez muito sucesso na metade do séc. XIX. A partir de 1835, foi expoente escritor para o Le Charivari, o principal diário satírico francês de oposição, onde se consolidou como escritor. Em 1894, Louis Huart dirigiu peças teatrais no Teatro Nacional Odéon, antes de fundar o Théâtre des Folies-Nouvelles, em 1855.

Leila de Aguiar Costa - Tradutora

Leila de Aguiar Costa possui mestrado em Letras (Língua e Literatura Francesa) pela Universidade de São Paulo (1990) e doutorado em Sciences du Langage – École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris-França(1997). Realizou três pós-doutorados: inicialmente, pela Universidade de Lisboa (subvenção Instituto Camões); em seguida, pelo Departamento de Letras Modernas da UNESP/Araraquara (subvenção CNPq); finalmente, pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (subvenção FAPESP), tendo suas pesquisas vinculadas ao Projeto Temático FAPESP Biblioteca Cicognara e a Constituição da Tradição Clássica, de iniciativa do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP, e coordenado seu “Núcleo Letras”. Sua atuação acadêmica se dá na área de Letras, com ênfase em Teoria Literária, Literatura Francesa e Literatura Comparada, envolvendo-se principalmente com os seguintes temas: gêneros romanesco e teatral, sistemas de representação literária e artística do Seiscentos ao Novecentos, relações entre Literatura e Outras Artes. Atualmente, é docente no Curso de Letras, na área de Estudos Literários, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). É igualmente docente credenciada do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de São Paulo. Desenvolve atualmente projeto de pesquisa sobre as poéticas da presença em Manoel de Barros e Yves Bonnefoy. Foi Bolsista Produtividade em Pesquisa do Fundo de Auxílio aos Docentes e Alunos (FADA) da UNIFESP. É ainda tradutora no Brasil de diversos autores franceses, com destaque para Stendhal, Balzac, Maupassant,  Madame de La Fayette e Atiq Rahimi.

João do Rio​

Paulo Barreto (1881-1921), conhecido pelo pseudônimo literário João do Rio, foi jornalista, cronista, contista, teatrólogo e imortalizado pela Academia Brasileira de Letras. Aos 16 anos, ingressou na imprensa, notabilizando-se como o primeiro jornalista brasileiro a ter o senso da reportagem moderna, entre as quais se tornaram célebres As religiões no Rio e o inquérito O momento literário. Usou vários pseudônimos, além de João do Rio, destacando-se: Claude, Caran d’Ache, Joe, José Antônio José. Como homem de letras, deixou obras de valor, sobretudo como cronista, onde criou o sub gênero: crônica social moderna.